TecniCoop faz 34 anos e encara a Era da Inteligência Artificial

“É preciso formar um ideal, superando as imperfeições da realidade e concebendo, através da imaginação, as suas possíveis perfeições.” 
José Ingenieros

No contexto global actual — e particularmente na Argentina — as condições não são propícias ao pleno desenvolvimento da cooperação. Longe de fortalecer a acção coletiva, o ambiente económico, político e cultural tende a fragmentar, individualizar e enfraquecer as iniciativas de solidariedade. Este é o contexto, e neste 1º de abril, assim como naquele dia em 1992, comemoramos o 34º aniversário da TecniCoop, e dizemos:

As cooperativas não estão imunes a essa realidade: muitas carecem de recursos financeiros suficientes para sustentar aspectos essenciais de seu funcionamento, como gestão empresarial, administrativa, contábil e tributária. Mas, ainda mais grave é a dificuldade em investir naquilo que constitui a sua própria essência: a educação e o treinamento cooperativistas.

Essa situação não apenas limita o seu desenvolvimento, como também coloca a sua identidade em risco.

Diante desse cenário, a resposta não pode ser a inércia ou a nostalgia. Pelo contrário, é essencial uma profunda reformulação da abordagem organizacional, capaz de acompanhar as transformações do nosso tempo sem abandonar os nossos princípios.

Neste momento, a experiência histórica da TecniCoop fornece uma base sólida para projectar um salto qualitativo: sua reconfiguração na era tecnológica e inteligente.

Não se trata de adoptar a tecnologia de forma acrítica, mas sim de apropriar-se dela de forma cooperativa.

“A TecniCoop passou por três grandes reestruturações: organizacional, comunicacional e, hoje, enfrenta o desafio de se reconfigurar como uma plataforma cooperativa na era inteligente.”

A primeira reestruturação da TecniCoop envolveu a superação da liderança centrada na minha figura para dar lugar à construção da institucionalidade e de um quadro cooperativo; a segunda consolidou a sua capacidade de produção de pensamento e comunicação; e hoje, na era da inteligência artificial, o desafio é tornar-se uma plataforma de inteligência cooperativa em rede, capaz de contestar o significado e a prática da ‘era da inteligência artificial’ a partir da solidariedade, da educação e da cooperação.”

Isso implica o estabelecimento de novas bases organizacionais apoiadas por plataformas digitais que permitam:

– expandir o alcance territorial sem depender exclusivamente de estruturas físicas;
– democratizar o acesso à formação cooperativa por meio de ambientes virtuais;
– reduzir os custos operacionais nas áreas administrativa e de gestão;
– gerar redes de cooperação mais amplas, inclusive em escala regional ou latino-americana;
– fortalecer a inteligência coletiva por meio de ferramentas tecnológicas.

Nesse sentido, a plataforma não deve ser entendida como um simples instrumento técnico, mas como um novo espaço para organização cooperativa, onde participação, formação e gestão se integram dinamicamente.

Assim, a TecniCoop pode dar um passo decisivo: deixar de ser uma valiosa experiência territorial para se tornar um nó de inteligência cooperativa em rede.

O paradoxo é claro: num contexto que não favorece a cooperação, a solução não é recuar, mas inovar organizacionalmente. E nessa tarefa, a TecniCoop não parte do zero: parte da sua história, da sua resiliência… e da sua capacidade de se reinventar.

Em fraternidade, um abraço cooperativo!

About the Author

Jose Yorg
José Yorg é educador e docente técnico em Cooperativismo, membro da Rede de Investigadores Latinoamericanos de Economia Social e Solidária (RILESS), que envolve universidades da Argentina, Brasil, Equador e México. Este argentino nascido em Assunción (Paraguay) desenvolve actividades na Tecnicoop, na província de Formosa, onde é também perito judicial técnico em Cooperativismo no Superior Tribunal de Justiça.

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