Em comparação com o capital, no médio prazo
“…a aspiração de conquistar e cooperativizar a organização económica e social do mundo. A ACI, dando continuidade ao trabalho dos Pioneiros de Rochdale e de acordo com seus princípios, busca, com total independência, a substituição do sistema de empresas privadas com fins lucrativos por um sistema cooperativo organizado no interesse de toda a comunidade e baseado na ajuda mútua.” A Doutrina Cooperativa – Paul Lambert
Por José Yorg, o cooperário *
Aviso inicial: Esta reflexão constitui uma abordagem teórico-política em construção, aberta ao contraste crítico e a pesquisas futuras.
Um sistema cooperativo integrado, doutrinariamente coeso e financeiramente autónomo, possui vantagens estruturais em termos de reprodução económica e legitimidade social em comparação com o sistema capitalista, porque não depende da maximização especulativa da taxa de lucro.
Dessa perspectiva, a empresa cooperativa integrada não direcciona seus excedentes primordialmente para a acumulação privada ou para a satisfação de acionistas externos, mas sim para a ampliação da reprodução do bem-estar colectivo, o fortalecimento territorial e a eficiência social de seus serviços.

Diferentemente da corporação capitalista — estruturalmente obrigada a aumentar permanentemente suas margens de lucro para garantir a reprodução do capital investido — o sistema cooperativo pode reinvestir integralmente seus excedentes em: expansão da infraestrutura comunitária; redução dos custos sociais; melhoria dos serviços; fortalecimento tecnológico; aumento da capacidade produtiva; consolidação das raízes territoriais e culturais.
Essa diferença estrutural produz — em nossa humilde opinião — no médio prazo, uma vantagem comparativa sistémica que denominamos “obsolescência por enraizamento”. Esse conceito se refere ao processo pelo qual empresas baseadas em capital perdem competitividade territorial em comparação com estruturas cooperativas integradas que reinvestem seus recursos na própria comunidade onde actuam.
Enquanto o capital privado tende a extrair riqueza do território para concentrá-la em circuitos financeiros externos, o cooperativismo integrado reproduz internamente o valor gerado, fortalecendo o mercado local, a coesão social e a legitimidade institucional.
Sistema cooperativo integrado
Consequentemente, quanto maior o nível de integração cooperativa entre produção, consumo, crédito, educação e serviços, menor a dependência objectiva dos mecanismos tradicionais de intermediação capitalista.
Uma maior integração cooperativa — federações, confederações e suas próprias estruturas financeiras — adquire então uma função política estratégica decisiva: não apenas coordenar as actividades económicas, mas constituir-se como a arquitectura de um sistema socioeconómico alternativo capaz de desafiar a hegemonia territorial do capital.
Sob essa perspectiva, o cooperativismo deixa de ser interpretado como uma ferramenta paliativa ou residual do mercado e passa a ser entendido como um modelo superior de organização económica em termos de estabilidade social, redistribuição territorial e eficiência colectiva.

Portanto, o problema histórico do financiamento cooperativo não deve ser entendido exclusivamente como uma limitação intrínseca das cooperativas, mas também como uma consequência dos níveis insuficientes de integração doutrinária, financeira e política do movimento cooperativo como um todo.
A construção da autonomia financeira por meio de cooperativas de crédito, bancos cooperativos e sistemas integrados de circulação económica é, portanto, um requisito essencial para consolidar um poder económico dual capaz de contestar progressivamente os espaços de soberania material contra o capital concentrado.
Em resumo, a vantagem estrutural do cooperativismo integrado reside no facto de que sua lógica de reprodução não depende da extração especulativa de lucros, mas da expansão organizada da ajuda mútua, da reciprocidade económica e do desenvolvimento comunitário.
Em fraternidade, um abraço cooperativo!

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