Guiné-Bissau: Cooperativismo fortalece apesar da instabilidade política

A Guiné-Bissau deu recentemente um passo importante na organização institucional do seu movimento cooperativo. Desde Janeiro de 2025 foi instituída a Confederação Nacional de Promoção e Desenvolvimento das Cooperativas da Guiné-Bissau (CNPDC-GB), com sede em Bissau e representação territorial por meio de federações nas três províncias do país. A iniciativa marca um novo momento para o cooperativismo guineense, ao buscar articular cooperativas até então dispersas e fortalecer a sua capacidade de actuação coletiva.

A nova estrutura nasce com a missão de organizar, em escala ampliada, serviços de interesse comum para as cooperativas associadas, integrando e orientando suas actividades. Entre os objectivos institucionais estão a difusão da doutrina cooperativista, a prestação de assistência técnica e funcional e a representação das cooperativas perante órgãos governamentais e entidades privadas no país.

Segundo o presidente da Confederação, Mamadu Sarifo Djalo, a iniciativa surgiu da necessidade de fortalecer a representação e a coordenação das cooperativas no país. “Era importante unificar as cooperativas sob uma voz única, capaz de representar os seus interesses e fortalecer o movimento cooperativo em nível nacional”, citado pelo projecto Lusofonia + Cooperativa.

As atividades buscam ampliar as capacidades técnicas e de gestão dos dirigentes e membros das cooperativas, contribuindo para consolidar práticas de governança e gestão mais estruturadas no sector. Outro eixo de actuação refere-se à articulação com instituições financeiras, para facilitar o acesso das cooperativas ao crédito e ao financiamento.

A Confederação também actua na intermediação de serviços de consultoria jurídica e técnica, além de iniciativas de assistência nas áreas de saúde e proteção social voltadas ao quadro social das cooperativas. Paralelamente, desenvolve atividades de monitoramento institucional para fortalecer a identidade cooperativa e assegurar a conformidade com as normas legais vigentes.

O surgimento dessa estrutura ocorre em um contexto nacional marcado por desafios institucionais e instabilidade política recorrente. Nesse cenário, a consolidação de uma organização capaz de articular cooperativas em escala nacional adquire relevância estratégica, ao criar bases de cooperação económica e institucional para produtores e pequenos empreendimentos.

De acordo com Mamadu Sarifo Djalo, o cooperativismo pode desempenhar um papel decisivo na organização da produção e na dinamização da economia rural do país. “Se fortalecermos as cooperativas, estaremos também a fortalecer a economia nacional”, destacou.

As expectativas em relação ao futuro do sector são expressivas. A Confederação projecta o cooperativismo como um instrumento fundamental para organizar produtores e pequenas iniciativas econômicas, facilitar o acesso coletivo a insumos e ampliar a comercialização da produção, sobretudo nas zonas rurais.

Espera-se que esse processo contribua para o crescimento econômico, para o fortalecimento da segurança alimentar e para a geração de empregos, reduzindo o êxodo rural e promovendo o desenvolvimento sustentável das comunidades locais.

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