Num contexto de declínio democrático e falta de propostas que rompam com o modelo neoliberal empobrecedor, o educador social José Yorg inaugura uma nova forma de comunicação pedagógica e jornalística: “Diálogos com José Yorg” , um espaço para pensar e agir a partir do conhecimento científico ao serviço do povo.
Por José Yorg, o cooperário *
Ao apresentar o tema de hoje, Yorg afirmou: “É essencial aprofundar a Ciência do Desenvolvimento Social. Não estamos a falar de assistência, mas de formação. O objectivo não é conter, mas emancipar.”

O que é a Ciência do Desenvolvimento Social?
É um campo interdisciplinar que integra economia, sociologia, cooperativismo e tecnologia para gerar verdadeira autonomia económica. A Ciência do Desenvolvimento Social é uma área interdisciplinar focada em melhorar o bem-estar, a equidade e a qualidade de vida das pessoas por meio de políticas públicas e tecnologias inclusivas.
Busca fortalecer as capacidades humanas, combater a exclusão e promover o desenvolvimento sustentável por meio de investigação e inovação social. Também promove a articulação entre educação, extensão e pesquisa académica com acção política para enfrentar problemas estruturais como pobreza e desigualdade.
O principal indicador não é o número de pessoas assistidas, mas sim quantas deixam de precisar de assistência após atingirem uma maturidade produtiva organizada.
Cooperativismo como instrumento de poder cidadão
Dessa perspectiva, o cooperativismo deixa de ser um instrumento auxiliar do Estado e se torna uma estratégia para a construção do poder económico e social.
Seguindo os princípios da Aliança Cooperativa Internacional (ACI), destacam-se três pilares:
Autonomia e independência: as cooperativas devem manter a sua capacidade de tomada de decisão. A dependência de um único cliente — mesmo que seja o Estado — gera um “nanismo institucional” e limita o seu desenvolvimento.
Educação e formação: Os membros da cooperativa devem ser gestores. A formação em finanças, marketing e inovação tecnológica é essencial para competir e gerar riqueza genuína.
Gestão democrática: a participação genuína fortalece o compromisso. As evidências mostram que uma maior horizontalidade leva a uma maior produtividade e sustentabilidade.
A UNaF como plataforma para a ciência do desenvolvimento social
Surge então uma pergunta inevitável: A província de Formosa possui as ferramentas necessárias para desenvolver essa ciência?
Sim, a resposta é sim. A Universidade Nacional de Formosa (UNaF) possui espaços académicos estratégicos: a cátedra “Constituição, Contabilidade e Gestão Tributária de Cooperativas” (FAEN), que oferece formação em autonomia financeira.
E o doutoramento em Ciências Sociais, que fornece a estrutura crítica para compreender o desenvolvimento como a construção do poder colectivo.

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