A Federação Nacional das Adegas Cooperativas de Portugal (Fenadegas) contestou recentemente o preço pago pelo litro de vinho destilado anunciado pelo governo (42 cêntimos), o que considera ser um “total desrespeito” pelas denominações de origem.
O Douro é a única região de montanha considerada como excepção, com custos de produção mais elevados, cujo valor será majorado para 75 cêntimos por litro certificado. A Fenadegas lamenta que não seja extensivo às outras regiões de viticultura de montanha no país, como é o caso do Dão e de Trás-os-Montes, entre outras.
Segundo o presidente da Fenadegas, António Mendes, “para estes produtores, que têm custos de produção acrescidos, receber 42 cêntimos por litro não é uma ajuda, é um suicídio”. O dirigente antevê a possibilidade de uma “enorme revolta de agricultores”, que não têm onde armazenar as suas uvas.
Destilação de Crise
Recorde-se que a Comissão Europeia anunciou em Julho a atribuição de 15 milhões de euros da União Europeia para apoiar produtores de vinho portugueses, com consequentes perturbações do mercado, o quarto apoio de crise atribuído em cinco anos.
António Mendes reconhece que a verba vai permitir “diminuir os ‘stocks’” nacionais de vinho, mas que “a destilação é um paliativo”.
Portugal tem vindo, desde 2019, a importar anualmente 300 milhões de litros de vinho, a maior parte de Espanha. No entanto, quem importou vinho nas últimas três campanhas, não poderá submeter excedentes à destilação. O prazo de submissão de candidaturas ao apoio termina a dia 16 de Agosto.
Outra das consequências negativas da medida Destilação de Crise é que a destilação dos vinhos excedentes (sobretudo com DOP) destina-se a produção de álcool exclusivamente para fins industriais (incluindo produtos de desinfeção ou fármacos) ou para fins energéticos.
Confagri cobra revisão
Sobre a situação actual do sector vitivinícola português, Nuno Serra, da Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas e do Crédito Agrícola (Confagri), considera que o Ministro da Agricultura e Pescas “deve rever o modelo de gestão apresentado para a actual Destilação de Crise.”
A Confagri recorda que todos os produtores de vinho pagam quotas ao Instituto do Vinho e da Vinha (IVV) e entende que “deve haver uma melhor distribuição, ou mesmo aumento, das verbas disponíveis, não podendo haver discriminações negativas entre regiões e produtores.”
Serra acrescenta ainda que “no quadro financeiro em que o valor de 15 milhões de euros autorizado para a Destilação de Crise pode ser majorado em 200% pelo Estado Português, existem condições suficientes e ao alcance do governo para garantir aos produtores de todas as regiões um valor mais justo e equitativo pelo seu vinho.”
(Fonte: Fenadegas, Confagri e L usa/Imagem: RCL)
