Por Kester Kenn Klomegah, Pressenza Moscovo *
Em virtude de um acordo bilateral assinado, a China concluiu e entregará, em fevereiro de 2026, a nova sede (edifício) localizada em Abuja, Nigéria, à Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO, ECOWAS, na sigla em inglês).
Trata-se de uma parte significativa da estratégia de Pequim para projectar a influência política da China através da oferta de palácios presidenciais e edifícios parlamentares de prestígio, considerados “únicos” em suas relações históricas com a África.
Relatórios indicam que, desde 2000, Pequim financiou a construção ou reforma de quase 200 complexos governamentais. Integram o CEDEAO 15 países, dentre eles os “PALOP” Cabo Verde, Guiné-Bissau e Guiné Equatorial.
Diversos desses projectos foram financiados por meio de várias fontes, incluindo empréstimos e doações. Exemplos clássicos incluem o edifício da União Africana (UA), estimado em 171 milhões de euros em 2012, e a sede dos Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC) em Adis Abeba, Etiópia.
O edifício do parlamento do Zimbábue e o edifício do Ministério dos Negócios Estrangeiros e da Integração Regional do Gana são também exemplos clássicos.
Em dezembro de 2022, a China assinou um acordo com o bloco económico regional, Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), para construir sua sede administrativa. O projecto custa aproximadamente 27,4 milhões de euros.
O novo edifício centralizado aumentará a produtividade dos funcionários e reduzirá os custos operacionais, já que a Comissão da CEDEAO opera actualmente em três locais diferentes em Abuja.
A China entregará o novo edifício da CEDEAO, sua nova sede com instalações modernas, como uma doação integral, o que pode ser considerado uma conquista adicional de grande importância para o continente.
Em termos práticos, a China tem demonstrado um desempenho excepcional nas suas relações de colaboração com a África. Ao partilhar o futuro do continente, aborda consistentemente as suas questões de desenvolvimento sustentável, conquistando consideravelmente aliados e apoiando o crescimento populacional da África.
Em 4 de dezembro, o embaixador da China na República Federal da Nigéria, Yu Dunhai, visitou o local para avaliar o progresso da obra e interagiu com o presidente da Comissão da CEDEAO, Dr. Omar Touray. Em comunicado, Yu elogiou o edifício como um “projecto emblemático da cooperação bilateral” e um forte exemplo de cooperação Sul-Sul.
Em entrevista ao South China Morning Post, David Shinn, especialista em China e África e professor da Elliott School of International Affairs da Universidade George Washington, afirmou que a doação da sede da CEDEAO em Abuja, e da sede da União Africana em Addis Abeba pela China, é um claro exemplo de “compra de influência junto aos governos africanos”, o que demonstra que Pequim se sai melhor do que qualquer outro governo doador externo.
No entanto, Shinn enfatizou que esses projectos eram inerentemente diferentes daqueles baseados em empréstimos ou mesmo subsídios que se concentravam no desenvolvimento de capacidades em saúde e educação ou na melhoria da segurança alimentar.
Em comunicado oficial, os líderes africanos expressaram seu profundo apreço pela sede da CEDEAO em Abuja e sublinharam o compromisso da China em apoiar a concretização do projecto. O comunicado destacou seu valor estratégico e demonstrou a forte influência chinesa naquela região da África.
Em conformidade com o acordo firmado entre a CEDEAO e o Governo da China, a construção foi realizada pelo Grupo de Construção de Xangai. O novo complexo é uma das sedes modernas mais bem equipadas, abrigando a Comissão da CEDEAO, o Tribunal de Justiça da Comunidade e o Parlamento da CEDEAO em Abuja.
A organização foi criada para promover a unidade regional entre os seus estados membros, ao abrigo do Tratado da CEDEAO assinado em 28 de maio de 1975 em Lagos, Nigéria.
