Confagri reforça críticas ao governo por inação contra epidemia caprina e ovina

A Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas e de Crédito Agrícola (Confagri) soma-se aos partidos da oposição ao governo e apela ao ministro José Manuel Fernandes a uma resposta urgente
do Ministério da Agricultura e Pescas sobre as medidas de contenção da epidemia da “língua azul”.

A febre catarral ovina (“língua azul”), especificamente do novo serotipo 3, já afetou, pelo menos, 279 explorações de bovinos e ovinos, sobretudo em Évora e Beja, e provocou a morte de 1.775 animais, segundo dados da tutela.

Depois de ouvir as preocupações das organizações, associações e produtores, a Confagri considera “urgente que a tutela tome medidas céleres e concretas pelo futuro de ambas as fileiras e da viabilidade de muitas explorações familiares”, considerando “que a vacinação deva começar o quanto antes, em todo o território nacional e com custos suportados pelo Estado”.

“É necessário que o Estado delineie uma estratégia concreta para agir rapidamente
através de medidas interventivas de vacinação, de apoio financeiro para suportar os
elevados custos da vacina e para garantir que as explorações pecuárias mantêm a sua
produtividade e viabilidade.”

Nuno Serra, Confagri.

O ministro esteve debaixo de grande contestação na última quinta-feira, por praticamente todos os partidos na Assembleia da República, durante o último dia de debate na generalidade da proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2025.

Durante as discussões, o deputado comunista Alfredo Maia advertiu que a epidemia foi “detectada em Setembro, o Governo nada fez. Deixou a doença lavrar, estando já em todo o território”. O ministro defendeu-se ao afirmar que “não há ainda uma vacina eficaz”, por outro lado, admite terem sido já investidos “cerca de 11 milhões de euros para o combate aos outros serotipos”.

A Confagri defende ainda a atribuição de uma ajuda financeira aos produtores já afetados, tanto para mitigar prejuízos, como para apoiar nos custos de tratamento e prevenção, já que a elevada taxa de mortalidade pode não só colocar em causa a sustentabilidade das explorações pecuárias, mas também “significar o aumento dos preços para os consumidores”.

(Foto: Cooperativa RD–Rádio Diana)

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Marcelo de Andrade
Editor do Diário 560. Jornalista e Fotojornalista há 35 anos.