O Conselho de Administração da Confederação das Cooperativas Agrícolas e de Crédito Agrícola (Confagri) reuniu esta segunda-feira e enumerou fragilidades urgentes do sector agroalimentar e identificou um crescente descontentamento entre os agricultores contra a inércia do actual governo.
No seguimento desta análise do último comunicado do Conselho de Ministros, a 19 de Março, no qual o governo anunciou medidas para os cidadãos estrangeiros, o sector energético, com implicações sobre as energias renováveis, a Rede Pública de Gás e a capacidade da rede eléctrica, mas nenhuma medida para o sector agroalimentar.
“Dada a passividade do governo”, a Confagri identificou em concreto a ausência de medidas de compensação no aumento dos preços do gasóleo agrícola, face à instabilidade gerada pelo conflito no Médio Oriente e o impasse nos laboratórios de sanidade animal, bem como falta de medidas de contingência para a Dermatose Nodular Contagiosa.
Considerando o sector sob pressão, a entidade representante dos agricultores cooperados recorda ainda um “claro atraso” na reposição do potencial produtivo aos agricultores afetados pelas intempéries do início do ano e a insuficiente dotação orçamental para responder às necessidades de investimento “e expectativas que foram criadas para o sector.
A Confagri apela ao primeiro-ministro para que estas questões sejam consideradas já no próximo Conselho de Ministros, e afirma que o sentimento de insatisfação que se sente no terreno se traduz na ideia de que o Governo trata a agricultura como se fosse o “parente pobre” da economia.
Já no comunicado anterior, a 12 de Março, nenhuma medida relevante ao sector foi anunciada. Ainda não há data prevista para a próxima reunião do Conselho de Ministros. A Confagri estará em contacto esta semana com o ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural, José Manuel Fernandes, em ambiente informal, durante a Feira Internacional de Agricultura de Braga.
