A agenda internacional do Sistema OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras) ganhou novos capítulos recentemente com uma série de reuniões estratégicas entre lideranças do cooperativismo do Brasil, da China e do Japão.
Os encontros tiveram com objectivo a articulação em torno das eleições da Aliança Cooperativa Internacional (ACI), a ter lugar no Panamá, entre 13 e e 18 de Setembro.
Gigante chinês
A 25 de Agosto, o presidente do Conselho de Administração do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, reuniu-se com Wang Yuyan, presidente da All-China Federação Nacional das Cooperativas de Abastecimento e Comercialização (ACFSMC), a maior organização de representação cooperativa da China.
O encontro teve como objectivo consolidar o apoio mútuo entre as candidaturas brasileira e chinesa ao Conselho (Board) da ACI, mas também serviu para abriu espaço para discutir uma relação bilateral, uma vez que a China é já o maior parceiro comercial na economia brasileira.
Recorde-se que a federação chinesa é uma das parceiras financeiras da Conferência Global e Assembleias da ACI. Já o brasileiro José Alves de Souza Neto é presidente da Cooperativas de las Americas, uma das secções regionais da ACI. Souza Neto é também o coordenador da área da Saúde do Sistema OCB e membro da Ocesp.
Japão também pode ser parceiro
No dia anterior, a delegação da OCB esteve em reunião com Yoshito Shinno, presidente da União Central das Cooperativas de Agricultura (JA-Zenchu). Shinno também preside a Japanese Co-operative Alliance (JCA), que reúne os diferentes ramos do cooperativismo no país.
Além da articulação institucional, a reunião permitiu uma aproximação com um país marcado por uma forte cultura cooperativista e por um movimento consolidado em diferentes áreas da economia.
“Essas conversas são importantes porque a ACI é construída a partir do diálogo entre realidades muito diferentes, mas que compartilham os mesmos princípios. O Brasil e o Japão têm experiências próprias e, ao mesmo tempo, muitos pontos de convergência sobre o papel que o cooperativismo pode desempenhar no desenvolvimento das pessoas e dos territórios”, afirmou Márcio.
Cooperativas da China em São Paulo
Paralelamente à Conferência Global da ACI, nos dias 17 e 18 de setembro, uma comitiva da ACFSMC estará no Brasil para uma agenda em São Paulo, organizada pelo Sistema OCB, em conjunto com a Ocesp.
“Existem conexões concretas entre os nossos cooperativismos, e a visita da delegação chinesa ao Brasil será uma oportunidade importante para transformar esse diálogo em novas parcerias e oportunidades”, acrescentou o presidente Márcio.
Diálogo
As conversas com o chinês Yuyan e o japonês Shinno também ocorreram em um momento relevante para a composição da governança da ACI. A China e o Japão têm forte presença no movimento cooperativista e representam importantes forças na estrutura da Aliança, especialmente na região Ásia-Pacífico, que reúne o maior bloco eleitoral da organização.
“A representação internacional é fundamental, e ela se torna ainda mais forte quando vem acompanhada de diálogo, intercâmbio e oportunidades reais de cooperação”
Márcio Freitas, Sistema OCB.
Nesse cenário, a participação chinesa ganha ainda mais relevância, com a ACFSMC como principal organização do país no processo de representação junto à ACI.
Durante a reunião, também estiveram em pauta as prioridades da ACI para o próximo ciclo e os pontos de convergência com a agenda brasileira. Entre os activos apresentados pelo Sistema OCB estão a realização de reuniões do Conselho da ACI em Brasília, o protagonismo brasileiro na agenda de Património Cultural Cooperativo e a participação em espaços estratégicos do cooperativismo internacional.

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