Cooperativa de trabalhadores salva fábrica na Itália após despedimento

Na província de Foggia, no sul de Itália, nasceu no passado 25 de Maio uma cooperativa formada por antigos trabalhadores de uma fábrica de loiça de plástico descartável. A nova cooperativa de trabalhadores comprou e reabriu a unidade industrial após o encerramento em 2023.

A cooperativa Coopla Green reacendeu as actividades nas instalações da antiga fábrica da Dopla, de Manfredonia. A empresa, especializada em loiça descartável, tinha encerrado em 2021, no âmbito da introdução da normativa europeia que proibiu a venda de artigos descartáveis produzidos em plástico.

A nova gestão cooperativa decidiu produzir artigos descartáveis em bioplástico certificado e com emissões nulas, com prioridade aos materiais reciclados, recicláveis ou compostáveis, de acordo com os princípios da economia circular.

“Passámos meses difíceis, mas escolhemos ficar, investir em nós próprios e no território”, afirmou Giovanni Guerra, presidente da Coopla Gree, citado pela Euronews. “Há máquinas, linhas de produção, que podem continuar a ser utilizadas para produzir também material compostável”, acrescentou o diretor executivo, Matteo Robustelli.

Devido ao despedimento dos 67 trabalhadores em 2023, alguns ex-empregados decidiram intervir, para salvaguardar os postos de trabalho e as suas competências na indústria. Para poderem fazer uma oferta de compra, precisavam arrecadar 50 mil euros até ao final daquele ano.

Os trabalhadores, em 2023.

Os trabalhadores buscaram então o apoio da Legacoop Puglia, uma cooperativa regional que representa cerca de 350 empresas cooperativas, e visa promover, desenvolver, fortalecer e defender a cooperação na região da Apúlia.

Nas regiões centro e sul de Itália, há uma legislação que permite a aquisição de empresas em crise ou em fase de insolvência pelos trabalhadores. Ainda assim, o projecto industrial da Coopla Green teve de enfrentar um contexto complexo, com diversas restrições à disponibilidade e à propriedade dos activos produtivos.

A Legacoop Puglia encomendou um estudo para um plano industrial, que inclui um programa de investimentos, concretizado pelo fundo próprio Coopfond, os apoios do fundo mutualista Fin4Coop, da Banca Etica e do banco comercial MPS.

Os trabalhadores, por sua vez, utilizaram o NASPI (equivalente ao programa de Criação do Próprio Emprego, do IEFP), investindo as respectivas prestações de desemprego, convencendo o sector público na viabilidade do projecto.

Para Carmelo Rollo, presidente da Legacoop Puglia, “esta experiência mostra como o worker buyout (a legislação) pode ser um instrumento concreto de política industrial, capaz de salvaguardar emprego, competências e dignidade, acompanhando ao mesmo tempo a transição para modelos produtivos mais sustentáveis”, disse à Euronews.

Posteriormente, também a Cooperazione Finanza Impresa (CFI), um fundo mutualista criado em 1986 para financiar empresas cooperativas de trabalho, juntou-se ao projecto, ao conceder uma linha de financiamento por sete anos a taxa zero.

“A própria CFI assumiu uma posição de sócio-financiador”, explicou Robustelli. A mútua subscreveu ainda uma participação acionista reembolsável, por um período que permitirá à cooperativa utilizar como fundo de maneio. A Coopla Green é hoje uma sociedade cooperativa anónima com 650 mil euros de capital social.

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Conteúdos apurados pela Redacção do Diário 560, com auxílio de colaboradores e agências.