2026: o ano do início da mudança no Banco da Associação Mutualista Montepio?

A Associação Mutualista Montepio deve ser considerada a “dona” do Banco Montepio. Na verdade, muito perto dos 100% do capital do Banco, foi lá colocado pela mutualista, no intuito de apoiar uma banca mais social, mais ética e claro está também para que esse capital fosse justamente remunerado. Mas o que tem acontecido, sobretudo nas últimas décadas?

Temos que começar por dizer que o capital colocado pela Associação Mutualista, no Banco Montepio, não se trata de uma coisa abstrata.

Tratam-se de poupanças, dos mais de 600.000 associados, que confiaram que estas poupanças iam ser utilizadas em prol de causas sociais, para mais tarde virem a ser ajudas aos mesmos associados.

Detendo-nos sobre os dois objectivos atrás enunciados, apoio a uma banca social e ética, no fundo os princípios mutualistas e remuneração das poupanças dos associados, o que temos vindo a constatar nas últimas décadas? A verdade é que o Banco Montepio, se tem vindo a tornar, como um banco com as piores práticas, ultrapassando mesmo os piores “bancos comerciais”, não tendo qualquer respeito quer pelos seus clientes em geral, quer sobretudo pelos clientes-associados. Também relativamente aos seus trabalhadores, o banco Montepio, para a generalidade dos trabalhadores, criou um péssimo clima social, baseado no amiguismo e desprezando a competência. Trabalhadores, com provas dadas de competência, são desprezados em prol de recém admitidos, de competências mais que duvidosas. Também no relacionamento comercial, o Banco Montepio despreza uma política social, em prol de uma política de apoio às “grandes negociatas”, que quase sempre tem acabado mal.

Ora, este posicionamento comercial do banco Montepio tem levado a míseros resultados. Na última década o Banco Montepio tem apresentado resultados, próximos do negativo, disfarçados por uma grande “maquilhagem contabilística” ou resultados positivos, como no caso dos dois últimos anos, muitíssimo longe dos resultados obtidos pela restante banca.

O que acontece é que as poupanças dos associados, ou não tem tido remuneração, ou quando tem, o banco remunera com “migalhas”. No ano de 2025, perante o resultado positivo do Banco, o acionista (Mutualista Montepio) pediu 60 milhões de Euros, como dividendos. O Banco fez orelhas moucas e alegando motivos prudenciais, deu esmola de 36 milhões de Euros (isto para além que, quase durante uma década, o Banco não remunerou as poupanças dos associados). Para além de uma atitude arrogante e de desprezo pelo “acionista”, esta atitude o que provoca? As poupanças dos mutualistas-associados têm remunerações irrisórias e são amplamente preteridas pelos produtos apresentados pela banca comercial.

Numa altura em que se avizinha mudanças na Administração do Banco Montepio, tendo já sido anunciada a saída do actual Presidente do Conselho de Administração, será a hora ideal para a Administração da Mutualista, “dona” do Banca, apresentar ao novo Presidente do Banco e equipa, uma “Carta de Princípios” em que fiquem balizadas linhas mestras em que o Banco se tem que situar. E atenção, não se trata de a Associação Mutualista intervir diretamente na gestão do Banco. Trata-se de esclarecer qual o papel do banco e aquilo que a Associação Mutualista espera receber, para retribuir aos seus associados.

Terá a Associação Mutualista coragem e lucidez, para que de facto o ano de 2026, seja um ano de mudança no Grupo Montepio? 

About the Author

Manuel Ferreira
Manuel Ferreira acumula 40 anos de actividade profissional como quadro do Banco Montepio (áreas comercial, voluntariado empresarial, microcrédito e empreendedorismo), cumpriu mandato no Conselho Geral da Associação Mutualista Montepio, e hoje é membro da Assembleia de Representantes. Colabora ainda com diversas associações de defesa dos Direitos Humanos.

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