Como nasceram os pinheirinhos?

O desenvolvimento do capitalismo, a partir do continente europeu, gerou duas classes com interesses opostos: de um lado, a burguesia, proprietária dos meios de produção e circulação das mercadorias; do outro, o proletariado, proprietário, apenas, de sua capacidade de sua força de trabalho.

Camponeses se deslocaram do campo para a cidade, artesãos perderam suas oficinas, e todos eles não tiveram outra alternativa, a não ser o trabalho em comum nas fábricas, submetidos ao mando patronal, diretamente ou por meio de seus prepostos.

Não havia legislação trabalhista. Interessante é que nos dias atuais, burguesia e setores médios defendem o fim da legislação trabalhista e declararam guerra, no Brasil, à Justiça do Trabalho, em nome da modernidade. De fato, os neoliberais querem o retorno à antiguidade, quando, sem nenhuma regulamentação estatal, vigorava a lei da selva. Precisa pensar muito para identificar quem eram os mais fortes?

As revoluções industriais (séculos XVIII e XIX) agravaram a situação — a implantação de novas tecnologias trouxe o desemprego e a superexploração do trabalho.

A primeira reação dos trabalhadores foi espontânea e desesperada: destruição das máquinas que lhes tomavam o pão. Esse movimento chamado ludismo (1760-1830) não trouxe muitos resultados positivos para o proletariado — a uma, porque sem máquinas, não há produção, assim quem recebia pouco, passa a nada receber; a duas, pela repressão violenta, haja vista que o patronato não queria (como não quer) intervenção estatal para regulamentar, mas, não só aceita de bom grado, como exige intervenção do estado, por meio de sua força policial, para conter a contestação das classes proletárias.

Movimento que estabeleceu princípios e símbolos, como Hino, Bandeira e os dois pinheirinhos, por sua capacidade de resistir às intempéries.

A seguir, de forma mais consciente, organizada, dirigida, surgem diferentes reações que desaguam em três grandes movimentos: o sindicalismo, o movimento comunitário (socialismo utópico) e o socialismo revolucionário (Comunismo).

O sindicalismo, que teve como epicentro a Inglaterra, tinha como estratégia para melhorar a situação da classe operária, a luta direta (greves e manifestações) por melhores salários e condições de trabalho, e a luta parlamentar, mediante a reivindicação de leis trabalhistas, criando, inclusive um movimento político (cartismo), através do qual participava do processo eleitoral. As primeiras leis trabalhistas foram aprovadas em 1860.

O socialismo revolucionário (comunismo) compreendia que a situação da classe operária seria resolvida somente com a tomada do poder político, assumindo o controle do estado e eliminando a propriedade privada dos meios de produção. Concretamente, a tomada do poder aconteceu na França em 1871 (Comuna de Paris), chegou a aprovar leis revolucionárias, mas teve curta duração (72 dias); não resistiu ao ataque dos exércitos francês e alemão, que se uniram para assegurar o poder político da classe burguesa. Foram mortos 10 mil revolucionários e presos 15 mil.

Esforços para construir as comunidades socialistas autossuficientes se deram na Inglaterra e na França, por iniciativa de pessoas de boa vontade, inclusive, empresários, mas não prosperaram. Tratava-se de ilhas autogestionárias cercadas por um oceano capitalista. Entretanto, dessa experiência, nasceu o cooperativismo.

A ideia era criar a cooperativa como sociedade de pessoas, não de capital, com dupla face: uma, interna, fundamentada nos princípios das comunidades autogestionárias; a outra, externa, com estratégia de mercado, para disputar espaço não apenas no campo econômico, mas também ideológico, substituindo as relações de dominação por relações de cooperação.

Desde o início do século XIX, começaram as experiências cooperativistas, mas a referência para o mundo é a dos tecelões de Rochdale, em Manchester – Inglaterra (1844). De cooperativa de consumo, evoluiu para atividades de produção diversificadas e se expandiu pela Europa, depois, pelo resto do mundo. Tornou-se Movimento que estabeleceu princípios e símbolos, como Hino, Bandeira e os dois pinheirinhos, por sua capacidade de resistir às intempéries. Fosse no nordeste brasileiro, seriam dois mandacarus ou juazeiros [Cereus jamacaru/Ziziphus joazeiro martius].

Os pinheirinhos foram trazidos para o Brasil pelos imigrantes e missionários europeus pelo final do século XIX. Desde que nasceram, tanto aqui como no resto do mundo, a face interna e a face externa se debatem em busca da unidade dos contrários: competição x cooperação. Sobre o andamento dessa luta e a saúde dos pinheiros, por favor, não percam o próximo capítulo, ou seja, o próximo artigo.

About the Author

Luís Alves
É paraibano, advogado especializado em Direito Cooperativo e Assessor Jurídico do Sistema OCB/PE (Organização das Cooperativas Brasileiras no Estado de Pernambuco).

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