De Formosa, Argentina, José Yorg faz um apelo cordial ao cooperativismo europeu para que estudasse e examinasse criticamente a recente contribuição teórica apresentada à comunidade científica internacional, centrada na praxeologia cooperativa como uma proposta metodológica para o estudo do fenómeno cooperativo.
Yorg argumenta que o desafio reside não apenas em avaliar a originalidade de sua abordagem, mas também em debater uma questão de maior alcance epistemológico.
Por José Yorg, o cooperário *
A questão que o cooperativismo europeu deve examinar não é apenas se a minha proposta é original, mas se esta constitui uma expansão do horizonte epistemológico do cooperativismo, através da formulação de uma praxeologia cooperativa capaz de enriquecer a pesquisa, a educação e a ação cooperativas.
Itinerário académico

Essa jornada académica começou na Universidade Nacional de Formosa (UNaF), onde apresentei formalmente ao Doutoramento em Ciências Sociais a pesquisa intitulada “Programa de Pesquisa”, cujo objectivo era explorar a viabilidade epistemológica de uma proposta chamada Teoria do Desenvolvimento Sociocooperativo, buscando a institucionalização académica de um constructo teórico em desenvolvimento.
O objectivo desta investigação é abrir um novo campo de pesquisa dedicado ao estudo do desenvolvimento de capacidades sociais organizadas por meio da cooperação. Ela não parte da afirmação de uma disciplina já constituída, mas de uma questão de pesquisa: o desenvolvimento social baseado na cooperação pode ser organizado como um objecto científico específico?
Praxeologia Cooperativa
O núcleo metodológico da nossa proposta estrutura-se em torno do Método Disciplinar Científico Cooperativo-Praxeológico (ou Praxeologia Cooperativa). A Praxeologia — formalmente definida como a ciência da ação humana — tem um antecedente metodológico incontornável na Escola Austríaca de Economia (particularmente na obra de Ludwig von Mises). Contudo, essa tradição fundamenta-se no individualismo metodológico, postulando que a acção humana deve ser explicada exclusivamente em termos das decisões e interesses do indivíduo isolado num mercado competitivo.
A apresentação deste trabalho a uma publicação científica especializada da Universidade de Deusto (Bilbao) abre a possibilidade de que a discussão transcenda as esferas locais e seja inserida num cenário internacional de avaliação académica, onde as hipóteses são examinadas segundo critérios científicos e através da troca crítica entre especialistas.
Questões
A questão central que merece ser discutida hoje é se o cooperativismo pode avançar rumo à consolidação da sua própria metodologia científica, coerente com os seus princípios de cooperação e solidariedade, ou se continuará dependendo de referenciais metodológicos desenvolvidos a partir de paradigmas estranhos à sua identidade doutrinal.
A validação da Teoria do Desenvolvimento Sociocooperativo não se limita à sua aplicação histórica. Vivemos um período de transformação global acelerada, em que a automação, a inteligência artificial e a desterritorialização do trabalho representam uma nova questão social. Será que a cooperação, tal como a entendemos, pode sobreviver e oferecer soluções viáveis na era digital?
Nossa resposta é afirmativa, baseada na premissa epistemológica de que a tecnologia deve servir à organização da comunidade, e não ao contrário. Propomos expandir o programa de pesquisa para abranger a conceitualização de “IA Cooperativa” (Inteligência Artificial Cooperativa) e redes de gestão do conhecimento social. A teoria deve evoluir para um modelo em que as ferramentas tecnológicas não sejam usadas para exacerbar a assimetria económica ou o isolamento praxeológico (como proposto pela ala mais radical do individualismo de mercado), mas sim para aprimorar a inteligência coletiva e otimizar a gestão de recursos comuns.
Afirmo que o objectivo desta iniciativa não é obter apoios prévios, mas sim promover um debate académico rigoroso, que nos permita avaliar o alcance, os pontos fortes e as limitações da praxeologia cooperativa como uma possível contribuição para o desenvolvimento da teoria e da ciência do cooperativismo.

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