É relevante falar em uma revolução cooperativa?…

“Não há melhor prova do progresso da civilização do que o progresso do poder da cooperação.” 
John Stuart Mill

No contexto do Dia do Trabalhador, enquanto o sistema tenta reduzir nossa jornada de trabalho a um mero descanso, afirmamos que, em nossa humilde opinião, acreditamos ser o momento de um debate fundamental dentro do movimento cooperativo global sobre a necessidade de combater politicamente os efeitos desumanizadores do modelo neoliberal. Por nossa parte, perguntamos: é apropriado falar em uma revolução cooperativa?

Portanto, para nós, politicamente falando, a revolução cooperativa implica uma transformação dos laços sociais que o neoliberalismo fragmentou. Transformar significa desenvolver uma relação socioeconómica de tipo cooperativo.

O diagnóstico é tão óbvio quanto doloroso: o sistema actual chegou ao seu limite. Esta não é apenas a opinião dos despossuídos; até mesmo as elites em Davos admitem isso implicitamente quando falam de uma “Grande Reinicialização”. Mas não nos enganemos: essa reinicialização não é para o povo; é a reengenharia do capitalismo para sobreviver à sua própria crise de legitimidade sem abrir mão de um mínimo de controle.

Contudo, devemos admitir que uma parede invisível bloqueia nossas mentes. Uma montanha de argumentos, traumas históricos e propaganda de individualismo extremo paira sobre o nosso presente, sussurrando que qualquer tentativa de transformação benéfica para o povo inevitavelmente leva ao caos. O neoliberalismo alcançou sua vitória mais amarga: o desânimo.

“O problema da cidadania passiva, acrítica e irrefletida, doutrinada nos assuntos do Estado a partir da perspectiva da conveniência de exercer o poder livremente e sem controle social, é uma situação que decorre do processo imperceptível de exclusão da participação cidadã, característico de um modelo neoliberal que garante apenas uma inclusão nominal e mantém os cidadãos na pobreza política.” 
Darwin Clavijo Cáceres e Sirley Juliana Agudelo Ibáñez.

Eles roubaram a palavra “revolução”, substituindo-a por “mudança”, até mesmo no meio académico. Já não dizem “o povo”, dizem “gente”. Os neoliberais sentem-se desconfortáveis ​​ao falar sobre a Revolução de Maio.

A história regista a “revolução conservadora”, bastante neoliberal, aliás, em que o governo argentino desmantelou o Estado de bem-estar social, antes mesmo de desmantelar o Estado peronista, tudo sob esse mesmo lema.

O ódio visceral que os sectores neoliberais expressam em relação ao cooperativismo nada mais é do que um sintoma do seu próprio medo: eles sabem que descobrimos que é possível produzir, distribuir e viver de forma cooperativa.

Como sabemos, a Revolução Industrial capitalista foi um processo de transformação económica, social e tecnológica que teve início na segunda metade do século XVIII no Reino da Grã-Bretanha.

A Revolução Cooperativa surgiu como resposta humana no âmago da Revolução Industrial, no exacto momento em que a exploração caiu impiedosamente sobre os ombros do trabalhador.

O muro da resignação é alto, mas a cunha da ajuda mútua é mais resistente e constante. A Revolução Industrial deu origem à Revolução Cooperativa.

A agonia do capitalismo não se resolverá com mais mercados, mas com mais pessoas organizadas. Chegou a hora de pararmos de pedir permissão e começarmos a exercer nosso direito humano de viver com dignidade. A revolução cooperativa não é um sonho do passado dos Pioneiros de Rochdale; é a construção coletiva do nosso futuro, aqui e agora.

Em fraternidade, um abraço cooperativo!

About the Author

Jose Yorg
José Yorg é educador e docente técnico em Cooperativismo, membro da Rede de Investigadores Latinoamericanos de Economia Social e Solidária (RILESS), que envolve universidades da Argentina, Brasil, Equador e México. Este argentino nascido em Assunción (Paraguay) desenvolve actividades na Tecnicoop, na província de Formosa, onde é também perito judicial técnico em Cooperativismo no Superior Tribunal de Justiça.

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