Argentina: nossa resposta pública ao Partido Cooperativo Britânico

Ao Partido Cooperativo do Reino Unido,
Ao seu presidente e à sua liderança política.

Em nome do Partido Cooperativo Argentino, agradecemos pelo e-mail enviado a José Yorg e, portanto, dirigimo-nos a você com espírito fraterno, convicção política e senso histórico, com o objetivo de propor formalmente a construção de uma aliança política cooperativa internacional, baseada no reconhecimento mútuo, na complementaridade estratégica e na ação coordenada.

A recente mensagem pública do presidente do Partido Cooperativo do Reino Unido, Jim McMahon, apelando para que as pessoas não abandonem a política e se apeguem à esperança diante do cansaço social, expressa uma preocupação que partilhamos plenamente: a fadiga democrática, a fragmentação social e a crescente insatisfação política nas nossas sociedades.

Contudo, a partir da nossa experiência latino-americana, compreendemos que este fenómeno não pode ser abordado unicamente em termos de estado de espírito ou vontade individual. Em países como a Argentina, o abandono da política tem sido uma consequência direta de processos prolongados de exclusão, desigualdade e da apropriação da democracia por interesses económicos concentrados.

Dessa diferença de trajetórias surge, precisamente, uma oportunidade histórica:

  1. Reconhecimento de caminhos diversos e complementares

O cooperativismo britânico desenvolveu-se com forte integração institucional, presença parlamentar e capacidade de influenciar as políticas públicas.

O cooperativismo argentino e latino-americano, por outro lado, foi forjado em contextos de crises recorrentes, retirada do Estado e devastação social, tornando-se uma ferramenta de resistência, organização territorial e apoio material para comunidades inteiras.

Não vemos essas diferenças como obstáculos, mas sim como pontos fortes complementares.

Acreditamos que o cooperativismo internacional precisa articular institucionalidade e territorialidade, governança e resistência, políticas públicas e poder comunitário.

  1. Fundamentos da aliança proposta

Propomos avançar com uma aliança política cooperativa baseada nos seguintes princípios comuns:

  • A democratização da economia e a propriedade social da riqueza.
  • Fortalecer as comunidades, como tomadoras de decisão e não apenas como beneficiárias.
  • A rejeição de todas as formas de ódio, exclusão e fragmentação social.
  • A convicção de que a cooperação não pode ser neutra diante da desigualdade estrutural.
  • A necessidade de contestar o poder democrático contra o capital concentrado e as lógicas neoliberais.
  1. Objetivos específicos da aliança

Propomos iniciar um processo de coordenação que inclua:

  • Diálogo político formal e periódico entre ambas as organizações.
  • Elaboração de documentos e posições conjuntas sobre debates globais importantes (democracia económica, bens comuns, trabalho, transição justa).
  • Coordenação em espaços e fóruns internacionais, fortalecendo uma voz política cooperativa comum entre o Norte e o Sul.
  • Intercâmbio de experiências estratégicas, reconhecendo a aprendizagem institucional e territorial.
  • Exploração da criação de um espaço político cooperativo internacional que transcenda a dimensão económica e abrace plenamente a dimensão política do cooperativismo.
  1. Uma convicção compartilhada

Estamos convencidos de que o cooperativismo não pode limitar-se a resistir ou gerir o que é possível. No contexto atual, este tem a responsabilidade histórica de imaginar, questionar e construir alternativas para um verdadeiro poder democrático.

Não propomos unanimidade ideológica nem subordinação política.
Propomos uma aliança estratégica entre forças cooperativas conscientes de suas diferenças e unidas por um horizonte comum.

Porque os movimentos cooperativos sem coordenação global são vulneráveis. E a política sem movimentos cooperativos está fadada a perpetuar as injustiças.

Da Argentina, com respeito, firmeza e um compromisso com a cooperação política, deixamos esta proposta aberta à sua consideração e diálogo.

Em cooperação e compromisso democrático,

Partido Cooperativo Argentino

Mario Carrera
Presidente – Partido Cooperativo Argentino
Buenos Aires, Argentina

Carmen Viaut
Representante – Partido Cooperativo Corrientes
Corrientes, Argentina

José Yorg
Representante de Relações Internacionais
Formosa, Argentina

About the Author

Jose Yorg
José Yorg é educador e docente técnico em Cooperativismo, membro da Rede de Investigadores Latinoamericanos de Economia Social e Solidária (RILESS), que envolve universidades da Argentina, Brasil, Equador e México. Este argentino nascido em Assunción (Paraguay) desenvolve actividades na Tecnicoop, na província de Formosa, onde é também perito judicial técnico em Cooperativismo no Superior Tribunal de Justiça.

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