Um paralelo histórico para compreendermos o que está a passar connosco enquanto humanidade

 Nada é permanente, excepto a mudança.” 
Heráclito de Éfeso

Ao longo da história, as sociedades humanas vivenciaram períodos em que duas formas de organizar a vida entraram em conflito. Não se trata de gostos pessoais ou ideologias abstratas, mas sim de como produzimos, como vivemos e como cuidamos da nossa vida em comum.

Um exemplo claro foi a Guerra Civil Americana (1861-1865). Naquela época, o país estava dividido entre dois modelos opostos: um baseado na indústria e no trabalho assalariado, e o outro sustentado pela escravidão e pelas grandes propriedades de terra.

Esse conflito não foi resolvido porque um lado “convenceu” o outro, mas sim porque um dos modelos não podia mais existir diante das mudanças tecnológicas e sociais da época. O sistema escravista era um obstáculo ao progresso da civilização e, infelizmente, essa resolução foi violenta.

Hoje, a humanidade enfrenta um momento semelhante. Dois caminhos estão em tensão. Por um lado, existe um sistema económico que prospera com base na especulação financeira, no endividamento e na concentração de riqueza. Esse modelo não gera bem-estar para a maioria e empurra as pessoas para a pobreza, a exclusão e a guerra por recursos cada vez mais escassos.

Por outro lado, está surgindo uma forma diferente de pensar a vida social: comunidades organizadas, cooperativas, tecnologias a serviço das pessoas e não do lucro, e uma economia idealizada para atender às necessidades reais, não para enriquecer poucos.

Ao contrário das grandes potências financeiras, o povo não busca dominar ou destruir, mas sim viver com dignidade. Inspirados por nobres sentimentos — solidariedade, justiça e cuidado mútuo — milhões de pessoas estão experimentando novas formas de organização baseadas na cooperação.

Essa busca se expressa na ideia de ​​Bem Viver (Sumak Kawsay): um modo de vida que propõe o equilíbrio entre as pessoas, a comunidade e a natureza.

Isso não é uma moda ou um slogan passageiro, mas uma necessidade histórica.

“Ninguém entra duas vezes no mesmo rio, pois tudo muda no rio e em quem nele entra. As águas que cobrem aqueles que entram no mesmo rio são diferentes.” 
Heráclito de Éfeso (540 a 480 a.C.), filósofo grego, também conhecido como “O obscuro de Éfeso”

Tecnologia e riqueza existem; o problema é como nos organizamos como sociedade para colocá-las a serviço da vida e não da destruição humana.

A mudança não virá apenas de cima ou dos grandes centros de poder. Ela surge de baixo, do povo organizado, que percebe que outra forma de convivência é possível.

O desafio do nosso tempo não é escolher entre ideologias, mas decidir que tipo de humanidade queremos ser.

Em fraternidade, um abraço cooperativo!

About the Author

Jose Yorg
José Yorg é educador e docente técnico em Cooperativismo, membro da Rede de Investigadores Latinoamericanos de Economia Social e Solidária (RILESS), que envolve universidades da Argentina, Brasil, Equador e México. Este argentino nascido em Assunción (Paraguay) desenvolve actividades na Tecnicoop, na província de Formosa, onde é também perito judicial técnico em Cooperativismo no Superior Tribunal de Justiça.

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