Por Raquel Azevedo *
Num tempo em que a televisão parece cada vez mais subordinada à velocidade, ao ruído e à lógica do consumo imediato, a persistência da RTP2 em exibir séries britânicas de qualidade assume um significado particular. Não é apenas uma escolha de programação: é uma tomada de posição cultural.

A ficção britânica exibida no canal distingue-se pela confiança que deposita no espectador. Confiança no tempo lento, na complexidade psicológica das personagens e a ambiguidade moral das histórias. São séries que recusam a explicação excessiva e o entretenimento fácil.
Ver uma série britânica na RTP2 exige atenção e disponibilidade. Os temas — desigualdade social, abuso de poder, falhas institucionais, trauma ou jornalismo — são tratados com sobriedade e profundidade.
Nada disto acontece por acaso. Existe uma curadoria clara, alinhada com a missão do serviço público. Programar é escolher, e escolher implica responsabilidade cultural.
Num mundo saturado de conteúdos descartáveis, esta televisão constrói uma relação diferente com quem vê. Não fideliza pelo vício, mas pela confiança. Defender este espaço é defender uma ideia de televisão enquanto bem cultural e democrático.

Be the first to comment on "Elogio da lentidão: As séries britânicas na RTP2"