Por José Rafael Quesada, na Pressenza*
Em tempos marcados pela incerteza económica, desigualdade e deterioração do tecido social, o Cooperativismo demonstra, mais uma vez, ser uma das ferramentas mais eficazes para colocar as pessoas no centro do desenvolvimento. Por isso afirmo: o cooperativismo é, em essência, uma forma de humanismo.

Esta era é marcada pela deterioração da organização social em todos os sentidos. Vemos partidos políticos, igrejas, associações, escolas de pensamento, líderes políticos e religiosos, empresas, bancos e até mesmo crenças fundamentais caírem e declinarem.
O Humanismo Universalista sustenta que os seres humanos são seres históricos e sociais, livres e intencionais, capazes de transformar a sua realidade e superar o próprio sofrimento e o dos outros. Essa mesma lógica fundamenta a prática cooperativa: grupos de pessoas que se organizam para dignificar o trabalho, democratizar as decisões, distribuir oportunidades e construir o bem-estar da comunidade.
O cooperativismo humaniza a economia
Em contraste com modelos que objectificam as pessoas e as reduzem a mera “mão de obra” ou “consumidores”, a cooperativa reconhece cada membro como um actor fundamental, com voz, voto e responsabilidade compartilhada. Nela, o capital não manda; manda a comunidade. O objectivo não é a acumulação para poucos, mas o bem-estar para muitos.
Além disso, as cooperativas combatem a violência económica e social. A violência — como ensinam as teorias humanistas — é qualquer ação que negue a liberdade ou as intenções de outros. As cooperativas enfrentam essa violência democratizando a propriedade, promovendo a igualdade de género, criando empregos dignos, fortalecendo as comunidades rurais e urbanas e abrindo caminhos educacionais e produtivos que reduzem a desigualdade.
O Cooperativismo também fomenta um senso de propósito e pertença, algo fundamental em tempos de fragmentação social. Numa cooperativa, as pessoas não encontram apenas uma renda ou um serviço; encontram um espaço para participar, serem reconhecidas, contribuírem e construírem um projecto que as transcende. A comunidade cooperativa é frequentemente o coração cultural e social de sua região.
Por todas essas razões, o Cooperativismo é mais do que um modelo económico: é um projecto histórico de libertação, uma forma concreta de humanizar o mundo e afirmar a dignidade humana no cotidiano. E em meio aos desafios actuais — mudanças tecnológicas aceleradas, crise ambiental e concentração do poder económico — as cooperativas representam um caminho viável e necessário para a construção de economias mais justas, equitativas e sustentáveis.
Onde há cooperação genuína, há Humanismo
Porque o cooperativismo não se limita a gerir recursos: gere esperança. Originalmente publicado em Panorama Digital/Canara, intitulado “O cooperativismo é uma forma de humanismo”.
* José Rafael Quesada é professor, líder cooperativista e ex-vice-prefeito do cantão de Montes de Oca, na Costa Rica.

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