A Confagri – Confederação das Cooperativas Agrícolas e do Crédito Agrícola – emitiu nesta segunda-feira uma nota sobre o avanço do acordo europeu com o bloco económico Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) na passada sexta-feira 10 de Janeiro, e afirma que “não partilha o optimismo do governo em relação ao Acordo UE-Mercosul”.
Já em Dezembro de 2025, o presidente Idalino Leão esteve em Bruxelas, ao lado dos agricultores em protestos no âmbito das alterações à Política Agrícola Comum (PAC), e afirmou à comunicação social [na foto] que “a proposta para a PAC pós-27 não agrada a nenhum Estado-Membro, a nenhum agricultor e a nenhuma cooperativa.” Leia a nota integralmente:
No que toca ao setor agroalimentar, a Confagri considera demasiado prematuro o otimismo do Governo em relação ao acordo UE-Mercosul, lembrando que o mesmo é bidirecional e que, apesar de poder representar algumas oportunidades de exportação, pode, também, apresentar múltiplas ameaças ao mercado interno.
Neste sentido, a Confagri relembra que caso não exista a obrigatoriedade do cumprimento das mesmas regras impostas aos agricultores europeus e uma rigorosa fiscalização das mesmas, os produtores europeus não estarão a competir em pé de igualdade com os do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, o que representará sérias ameaças ao setor agroalimentar europeu e levará não só a um quadro de concorrência desleal, mas também a uma distorção do mercado interno, cenário que prejudicará tanto consumidores, como produtores.
Perante isto, e de forma capacitar os produtores agroalimentares para os desafios de mercado que se aproximam, a Confagri considera que é urgente aumentar a competitividade do setor com mais investimento, necessidade que colide, contudo, com a proposta da nova Política Agrícola Comum que prevê um corte significativo no orçamento, particularmente nas áreas do investimento em inovação e conhecimento.
Assim, após a Presidente Von der Leyen ter assumido o compromisso de antecipar a utilização de 45 mil milhões do Fundo Intercalar para que os Estados-Membros os possam utilizar partir de 2028, a Confagri requer ao Governo português que garanta que o montante destinado a Portugal seja direcionado para o setor agroalimentar, salvaguardando os interesses dos agricultores e dos consumidores nacionais.
Mais ainda, a Confagri apela aos portugueses para que cada vez mais, no seu dia-a-dia, adquiram produtos nacionais, de forma a garantir que o setor agroalimentar nacional continua a crescer, mantendo vivos os territórios e tradições que fazem parte da nossa alimentação.
