Confagri mantém reservas ao acordo com Mercosul

No que toca ao setor agroalimentar, a Confagri considera demasiado prematuro o otimismo do Governo em relação ao acordo UE-Mercosul, lembrando que o mesmo é bidirecional e que, apesar de poder representar algumas oportunidades de exportação, pode, também, apresentar múltiplas ameaças ao mercado interno.

Neste sentido, a Confagri relembra que caso não exista a obrigatoriedade do cumprimento das mesmas regras impostas aos agricultores europeus e uma rigorosa fiscalização das mesmas, os produtores europeus não estarão a competir em pé de igualdade com os do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, o que representará sérias ameaças ao setor agroalimentar europeu e levará não só a um quadro de concorrência desleal, mas também a uma distorção do mercado interno, cenário que prejudicará tanto consumidores, como produtores.

Perante isto, e de forma capacitar os produtores agroalimentares para os desafios de mercado que se aproximam, a Confagri considera que é urgente aumentar a competitividade do setor com mais investimento, necessidade que colide, contudo, com a proposta da nova Política Agrícola Comum que prevê um corte significativo no orçamento, particularmente nas áreas do investimento em inovação e conhecimento.

Assim, após a Presidente Von der Leyen ter assumido o compromisso de antecipar a utilização de 45 mil milhões do Fundo Intercalar para que os Estados-Membros os possam utilizar partir de 2028, a Confagri requer ao Governo português que garanta que o montante destinado a Portugal seja direcionado para o setor agroalimentar, salvaguardando os interesses dos agricultores e dos consumidores nacionais.

Mais ainda, a Confagri apela aos portugueses para que cada vez mais, no seu dia-a-dia, adquiram produtos nacionais, de forma a garantir que o setor agroalimentar nacional continua a crescer, mantendo vivos os territórios e tradições que fazem parte da nossa alimentação.

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Conteúdos apurados pela Redacção do Diário 560, com auxílio de colaboradores e agências.