No âmbito da Faculdade de Administração, Economia e Negócios (FAEN) da Universidade Nacional de Formosa (UNaF), foi realizada a apresentação e socialização académica da construção da Praxeologia Cooperativa, no arranque da cátedra opcional “Constituição e Gestão Contábil Impositiva das Cooperativas”.
A apresentação à comunidade da UNaF foi protagonizada por José Yorg, que vem desenvolvendo durante décadas uma linha de pensamento e acção vinculada à educação, à pedagogia e ao desenvolvimento cooperativo, junto com a construção de categorias e ferramentas estabelecidas para interpretar a realidade social a partir de uma perspectiva cooperativa.
Nesse sentido, a Praxeologia Cooperativa constitui uma proposta para avançar para uma produção de conhecimento capaz de interpretar o cooperativismo não apenas como uma modalidade organizacional ou empresarial, mas também como um campo específico de pensamento, acção e desenvolvimento social.
Na apresentação, foram abordados os fundamentos da construção praxeológica e sua vinculação com a experiência histórica do cooperativismo, destacándo-se a necessidade de fortalecer uma perspectiva epistemológica própria que permita investigar, compreender e actuar sobre as realidades cooperativas a partir de seus princípios, valores e práticas concretas.
Escrutínio científico
O contexto adquire especial relevância porque a proposta de Praxeologia Cooperaria ingressa também no espaço universitário como objecto de exposição, análise e socialização académica, abrindo possibilidades para sua discussão crítica, aprofundamento conceitual e desenvolvimento investigativo.
Yorg considera que isto representa um novo momento em um processo de elaboração que sustenta uma premissa fundamental: o cooperativismo não deve ser limitado a ser estudado por categorias externas; também tem capacidade para produzir suas próprias categorias, conceitos, métodos e teorias.
Não se trata de considerar uma construção teórica como acabada, mas precisamente de colocar-se em circulação académica para que possa ser examinada, discutida, enriquecida e confrontada com a realidade.
Um feito académico que abre caminho
A apresentação deixou plantado um desafio: fazer do cooperativismo um sujeito produtor de conhecimento e não apenas um objeto de estudo.
No tempo em que as universidades enfrentam profundas transformações e no debate sobre o sentido social do conhecimento, recuperam a capacidade das organizações cooperativas para pensar, investigar e construir alternativas que constituem uma área de relevância estratégica.
Porque o cooperativismo também pensa. O cooperativismo também investiga. O cooperativismo também produz teoria. E a universidade é um dos espaços onde esse pensamento deve ser visível.

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