Um percurso

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Por Clementina Henriques *

A viagem que proponho como tema, encontra-se um pouco balizada, remontando aos socialistas utópicos da primeira metade do século XIX, como Robert Owen, Saint-Simon e Charles Fourier. Robert Owen (1771-1858), por exemplo, já considerava que a mudança social seria alcançada pela cooperação, no combate ao lucro e à concorrência, com as associações e cooperativas presentes em todas as áreas de actividade económica.

Ainda no século XIX, Tocqueville (1805-1859) reiterava a importância das associações livres, no projecto liberal-conservador, e nessa conjuntura vislumbrava a democracia como um dado imponderável do seu tempo. Tocqueville considerou que a democracia tinha raízes na paixão popular pela igualdade e não na ampliação da liberdade, a qual, na sua opinião, poderia ser ameaçada, justamente pela democracia.

Deste modo acaba o autor por ser uma das grandes influências para os actuais ideólogos do “Terceiro Sector”, ou Economia Social, também apropriada como Economia Social e Solidária, e do neoliberalismo da Terceira Via, que concebem a necessidade de combater os supostos males da mobilização popular contra a desigualdade, não pela repressão ou o cultivo da apatia política, mas justamente pela mobilização dos indivíduos em causas pontuais, locais e fragmentárias que não ameacem âmago do sistema capitalista.

Digamos que as raízes da Economia Social, que alguns autores ainda identificam como 3º Sector, assentam em organizações autónomas que visam a melhoria de qualidade da realidade social, passando pelo desenvolvimento de projetos sociais, integrados, e onde se enquadram o associativismo, o cooperativismo, as fundações, o mutualismo, como formas de organização da actividade produtiva.

* Conselheira Nacional da CPCCRD (Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto)

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Diário 560
Jornal online especializado em Economia Social