O vírus da ignorância

Mais de 300 pessoas foram mortas pelo coronavírus. Dez mil pessoas foram infectadas apenas na China, local de origem do vírus. Além do gigante asiático, ao menos 15 países informaram casos confirmados da doença.

O surto da doença também despertou reações xenófobas contra os chineses, como apontou Rosana Pinheiro Machado, em seu artigo para o site The Intercept Brasil. Segundo a autora, tais crises trazem de baixo o preconceito contra povos orientais e uma ótica colonialista que os associa a bárbaros em contraposição a um “ocidente civilizado”.

Uma das notícias que mais se tornaram virais nos últimos dias foi a de que a doença teria sido causada pela ingestão de morcegos, o que potencializa uma óptica preconceituosa, uma vez que não foi comprovado que a ingestão do animal foi a causadora da doença.

O medo do impacto económico fez com que bolsas de valores de todo o mundo desmoronassem, acendendo o sinal de alerta para um possível recessão global. O governo chinês, em uma tentativa de controlar o vírus, prometeu construir um hospital em dez dias na província de Wuhan, no centro do país. Também uma tentativa de construir uma narrativa positiva diante da calamidade pública enfrentada pelo chineses.

Muitas pessoas tem proferido falas racistas e preconceituosas contra os chineses. Como aconteceu com o surto de Ebola, no qual muitas pessoas provenientes do continente africano foram discriminadas como se pelos simples fato de serem africanas, estariam necessariamente contaminadas com o vírus.

Diante de uma situação alarmante, a Sociedade Brasileira de Infectologia emitiu uma nota para esclarecer a situação. Segue algumas questões levantadas pelos médicos:

Como ocorre a transmissão do coronavírus?

“O coronavírus é capaz de infectar humanos e pode ser transmitido de pessoa a pessoa pelo ar (secreções aéreas do paciente infectado) ou por contato pessoal com secreções contaminadas.

Porém, outros coronavírus não são transmitidos para humanos, sem que haja uma mutação. Na maior parte dos casos, a transmissão é limitada e se dá por contato próximo, ou seja, qualquer pessoa que cuidou do paciente, incluindo profissionais de saúde ou membros da família, que tenha tido contacto físico com o paciente, que tenha permanecido no mesmo local que o paciente doente.” (Nota da Sociedade Brasileira de Infectologia)

Pergunta 2: Quais são os sintomas de uma pessoa infectada?

“Pode variar desde casos assintomáticos, casos de infecções de vias aéreas superiores semelhante a uma constipação, até casos graves como pneumonia e insuficiência respiratória aguda, com dificuldade respiratória.

Crianças de pouca idade, idosos e pacientes com baixa imunidade podem apresentar manifestações mais graves.”

Para evitar a contaminação, recomenda-se lavar as mãos com frequência, tapar o nariz ao espirrar, manter os ambientes sempre arejados e não ter contacto com carne de animais silvestres. (Nota da sociedade brasileira de infectologia)

Até o momento, não há uma vacina para a doença.

Diante de crises mundiais é importante manter a calma e se informar e tomar cuidado para não propagar fake news. A informação é a vacina mais eficiente contra a desinformação. (Vinicius Chamlet, agência Pressenza)

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Diário 560
Jornal online especializado em Economia Social

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