Escritora Cabo-verdiana publica livro sobre o Bairro dos Húngaros e a integração em Portugal

Escritor Germano Almeida também recebeu mais um galardão no Alentejo

A cabo-verdiana Manuela Cardoso decidiu contar a história da comunidade dos cabo-verdianos, e não só, do bairro dos Húngaros, outrora considerado um dos maiores bairros de barracas da Grande Lisboa (Oeiras). Durante muito tempo foi descrito pela comunicação social como sendo “problemático”.

Manuela Cardoso

A assistente social e autora do livro “Pedreira dos Húngaros”, disse que a história também é dela, porque apesar de ter nascido na Cidade da Praia, veio ainda criança para Portugal, onde viveu com os pais nesse bairro de 1970 até 2000, em declarações à Inforpress.

Em Portugal, o lançamento oficial está previsto para 14 de Outubro, no Centro Cultural de Cabo Verde (CCCV) em Lisboa, onde que Manuela Cardoso conta ter presenças de representantes oficiais de Cabo Verde, incluindo o embaixador Eurico Monteiro.

“A jornada da comunidade dos Húngaros e o que, na minha visão, significou crescer num destes bairros descritos nos media como problemático e polémico, mas amado por muitos que aí viveram ou visitaram”, reconhecendo que a obra “não é sobre idealizar ou romantizar o que havia de errado nessas comunidades”.

“Fiquei bastante emocionada ao ver que [os jovens] estavam a fazer uso da música, artes diversas e páginas das redes sociais para tecer a sua própria narrativa, tentando juntar os puzzles, mas também manter uma identidade e a união que sabiam fazer parte da sua herança”, acrescentando que a perda de “membros significativos” da comunidade, como é o caso do padre Henrique, a motivou a escrever.

Manuela Cardoso anunciou que tem um programa para apresentar o livro em várias cidades da Europa, onde existe presença de emigrantes dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), como em Nice e Paris, Roterdão, Berlim e Luxemburgo.

O primeiro lançamento da obra “Pedreira dos Húngaros” teve lugar em Agosto, em Lisboa, num evento fechado apenas aos familiares, amigos e residentes do antigo bairro dos Húngaros, organizado pela editora Chiado Books.

Germano Almeida

Germano Almeida

Já o escritor cabo-verdiano Germano Almeida foi distinguido com o prémio “Prestígio Mais Alentejo Cabo Verde”, em um evento da Revista Mais Alentejo, que aconteceu recentemente em Vila Viçosa.

Germano Almeida, já distinguido com o Prémio Camões em 2018, foi um dos galardoados deste concurso, com uma votação a ultrapassar um milhão votos, segundo a organização.

Durante a Feira do Livro na Amadora, durante uma mesa de debate sobre “Multiculturalidade”, o escritor defendeu que se se quer que a literatura cabo-verdiana “saia de Cabo Verde” o Estado tem que apoiar, caso contrário continuará a ser pouco conhecida no mundo, nomeadamente na Lusofonia.

(Fonte: Inforpress e A Mensagem)

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Marcelo de Andrade
Editor do Diário 560. Jornalista e Fotojornalista há 35 anos.

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