Cansei do mel!

Foto: Britchi Mirela

Por Célia Moura

Isso, devagar tão suave como a pluma que trago
No feitiço dos teus olhos
Estremece-me as coxas de desejo.

Leva-me até às margens da loucura
Eleva-me nesse ideal
Onde o sangue ferve até doer.

Isso, em cadência agora como num ritual
Lança ao fogo todo o lixo grotesco e rude
Dessas trôpegas mãos amadas
Por mim beijadas.

Teu veneno não me alcança
Apenas me diverte
Como a uma criança a quem dão sempre
O mesmo jogo de presente.

Vem,
Lambuza-me desse teu fel
Cansei do mel!

© Célia Moura

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Diário 560
Jornal online especializado em Economia Social