Chile: A não violência como meio de revolução social

Por Juan Gómez Valdebenito, Pressenza

A explosão social chilena de 2019 abre novamente a questão sobre se os meios violentos são a única maneira de produzir avanços sociais significativos. Fomos testemunhas de como a erupção de uma violência implacável forçou as autoridades políticas, os membros do governo e até mesmo as bancadas adormecidas da oposição parlamentar a negociar rapidamente (em menos de um mês) uma saída digna para a crise que significou nada menos que uma Nova Constituição, feita a partir de uma folha em branco e produzida por uma Convenção Constitucional eleita democraticamente pelos cidadãos. Uma conquista da cidadania impensável em outras condições de normalidade democrática.

Ao revisar a história da humanidade, chegamos à conclusão de que, salvo honrosas exceções, todos os movimentos independentistas ou revoluções sociais que provocaram mudanças significativas nas estruturas sociais e políticas ou nas relações sociais entre os diferentes estamentos de uma sociedade ocorreram através de processos extremamente violentos que agitaram as bases da institucionalidade.

Vale mencionar a honrosa exceção da independência da Índia, liderada pelo apóstolo da não violência, Mahatma Gandhi, a qual ocorreu não sem esforços internos de violência, que foram sufocados pela liderança desse líder, que apelou para medidas de força, tais como uma longa greve de fome.

Contudo, sem ir mais longe, ao revisar outros movimentos independentistas em nossa querida América Latina, foram necessários exércitos libertadores que tiveram que lutar durante muitos anos para conquistar seus objetivos, com muito derramamento de sangue. E os heróis da independência continuam sendo lembrados e admirados pelos historiadores e pela sociedade a mando das instituições militares.

Foram erguidas estátuas e estabelecidos feriados em homenagem aos líderes elevados à categoria de heróis em batalhas sangrentas. E, mais recentemente, a revolução cubana também concebeu seus heróis em figuras como Ernesto Guevara e Fidel Castro, enaltecidos por gerações de jovens revolucionários que vêm neles um modelo a seguir para conquistar a independência de Cuba do império estadunidense.

Felizmente, nem todos os movimentos políticos contemporâneos com alguma inspiração revolucionária tiveram como ponto de partida uma revolução social violenta, mas ocorreram através de meios democráticos, como aqueles proporcionados por Salvador Allende no Chile, Hugo Chávez na Venezuela, Evo Morales na Bolívia e Luiz Inácio Lula da Silva no Brasil.

No entanto, todos, de certo modo, foram depostos e impedidos por meios violentos amparados no poder das armas e no apoio irrestrito por parte dos estadunidenses. Quanto mais profundas as mudanças sociais, políticas e econômicas implementadas, maior é a resposta violenta em termos econômicos e militares.

Por isso, voltamos a nos perguntar se é verdadeiramente possível haver uma mudança social revolucionária por uma maior justiça social sem que se desencadeie um ato de violência, seja para implementar essa mudança ou como resposta à sua tentativa de implementação.

Talvez a resposta que nos demos seja que isso não é algo fácil, que em todo o mundo o sistema neoliberal é uma camisa de força que não permite grandes movimentos, que querer modificá-lo implica produzir uma reação violenta por parte do mesmo sistema. Trata-se de um sistema feito com todas as barreiras possíveis, já que até a própria educação está pensada e desenhada para produzir elementos úteis ao sistema.

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Diário 560
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