A Colômbia vira uma página

No último domingo, sob o céu de Bogotá, milhares de colombianos se reuniram na Plaza Bolívar para assistir à posse de Gustavo Petro e Francia Márquez, como presidente e vice-presidente do primeiro governo progressista da história da Colômbia.

“Hoje, o mandato popular pela paz, pela vida digna, pela justiça social e ambiental nos trouxe a esta praça e a todas as praças da Colômbia”, disse Roy Barreras, novo presidente do Senado colombiano, no discurso de abertura do evento. “Este é o renascimento da esperança.”

Diante da multidão, a afro-colombiana Francia Márquez, uma liderança da luta ambientalista no país, tomou posse do cargo, jurando diante de Deus, do povo colombiano e de seus ancestrais servir como vice-presidente “hasta que la dignidad sea costumbre” (até que a dignidade se converta em costume).

Soldados marcharam a espada de Simón Bolívar, o grande libertador da Pátria Grande, no palco da inauguração – a mesma espada que o M-19, o movimento guerrilheiro ao qual Gustavo Petro pertenceu, roubou em 1974 em um ato de rebelião contra o regime corrupto da Colômbia.

Enquanto Gustavo Petro se preparava para subir ao palco, a multidão na Praça Bolívar gritava em uníssono. “No más guerra! No más guerra!” (não mais guerra). Vestindo a faixa presidencial que lhe foi passada por María José Pizarro, feminista, senadora, filha de Carlos Pizarro (comandante do M-19 assassinado quando se preparava para concorrer à presidência em 1990), Gustavo Petro inaugurou o “Governo da Vida”.

Por muitas vezes em nossa história, nós, colombianos, fomos condenados ao impossível, à falta de oportunidades, a um retumbante “não”. Quero dizer a todos os colombianos que me ouvem na Praça Bolívar, em seus arredores, em toda a Colômbia e no exterior, que nossa segunda chance começa hoje… Devemos acabar de uma vez por todas com seis décadas de violência e conflito armado – de fato, eu diria, dois séculos de guerra permanente, de guerra eterna, de guerra perpétua na Colômbia. Isso pode ser feito.

Gustavo Petro, presidente da Colômbia

Em um discurso arrebatador, Petro clamou por um novo internacionalismo na América Latina e em todo o mundo, não apenas “discurso, mera retórica”, mas instituições robustas para unir as nações irmãs do Sul, desde o mundo árabe até a África. “Hoje, devemos estar mais unidos do que nunca.”

Gustavo Petro pediu paz. “Trabalharei para alcançar a paz verdadeira e definitiva: como ninguém, como nunca antes”, afirmou. “O Governo da Vida é o Governo da Paz.”

(Fonte: Internacional Progressista)

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Diário 560
Jornal online especializado em Economia Social

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