Corrupção derruba um império brasileiro [3/3]

Esta é a última parte da série de um artigo publicado pela Agência Pressenza e parceiros sobre o impacto da corrupção na Economia do “gigante” da América do Sul. O texto, da autoria de Mario Osava, da IPS, analisa de forma lúcida e à frio o que se passa com a corrupção no Brasil.

Por Mario Osava

Pode-se atribuir o auge do conglomerado à sua visão estratégica e um modo de operar que teve sucesso até começar a Operação Lava Jato: ser “amigo do rei” era parte de seus métodos. Angola é o melhor exemplo. O ainda presidente do Conselho de Administração do grupo, Emilio Odebrecht, filho do fundador Norberto Odebrecht, se reúne anualmente com o presidente angolano José Eduardo dos Santos, em Luanda, para discutir projetos para o país. Oficialmente, trata-se de fazer um balanço das obras executadas pela empresa e definir novas metas.

Essa prerrogativa do grande empresário se justifica pela forte presença de sua construtora nas obras vitais de Angola, um país em reconstrução, nas áreas de energia, recursos hídricos, rodovias e urbanização. A Odebrecht conta com um prestígio único nesse país, desde que construiu a hidrelétrica de Capanda, no rio Kwanza, entre 1984 e 2007, com interrupção e riscos devido à guerra civil (1975-2002). Agora constrói a maior central angolana, Lauca, também no rio Kwanza, com capacidade de 2.067 megawatts.

Sua onipresença em Angola leva a empresa a administrar o Belas Shopping, centro comercial de luxo no sul de Luanda, executar o plano hídrico para abastecer a capital, preparar a primeira parte do distrito industrial na periferia da capital, construir conjuntos habitacionais, e recuperar a indústria açucareira angolana.

Em Cuba a construtora também cuidou do estratégico projeto da ampliação do Porto Mariel e da gestão de uma central açucareira, em busca de recuperar esse decaído setor cubano. Em outros países, como Panamá, Peru e Venezuela, se destaca a quantidade de obras e projetos a cargo da empresa brasileira, em áreas tão diversas como transportes urbanos, estradas e pontes, portos, centrais elétricas, hidrocarbonos e, inclusive, agricultura.

Esse ciclo expansionista acabou. Muito endividada, com seu faturamento desmoronando, sem acesso a crédito, inclusive em bancos de fomento brasileiros, e com o estigma de corruptor, o conglomerado procura colaborar com a justiça dos países envolvidos, tentando acordos que lhe permitam continuar operando e se recuperar mais adiante. Agora resta saber se a Odebrecht é “tão grande que não pode quebrar”, com se disse de alguns bancos na crise mundial iniciada em 2008. (Fonte: Agência Pressenza)

Sobre o autor

Marcelo de Andrade
Marcelo de Andrade
Marcelo de Andrade é Editor do Diário 560

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