Tráfico de seres humanos é uma realidade em Portugal

A presidente da Comissão de Apoio às Vítimas de Tráfico de Pessoas, dos Institutos Religiosos em Portugal, Maria Manoel, disse nesta quarta-feira 8 que o tráfico humano ainda é visto no país como algo “distante” ou que “não existe”, quando “não é verdade”, segundo a Ecclesia.

No dia em que a igreja católica promoveu uma jornada de oração e reflexão contra o tráfico de pessoas, a irmã Maria Manoel realça que há ainda “um longo trabalho de sensibilização e motivação a fazer nesta questão”, que tem de envolver todos os setores sociedade.

A Comissão de Apoio às Vitimas de Tráfico de Pessoas vai promover entre 17 e 19 de fevereiro em Lisboa, um seminário dedicado a esta matéria.

Recorde-se que ainda no início deste ano foi desmantelada uma rede de tráfico humano no Alentejo, no âmbito da operação “Campo Seguro”, da Guarda Nacional Republicana, na qual dezenas de pessoas provenientes de países como o Nepal, o Senegal e o Paquistão estavam a ser vítimas de exploração laboral e utilizadas na prática de furto de produtos agrícolas.

Os últimos dados divulgados pelo Observatório do Tráfico de Seres Humanos, do Ministério da Administração Interna, referentes a 2015, identificam 193 casos sinalizados no país, mas apenas 30 vítimas foram confirmadas.

A presidente da Comissão de Apoio às Vítimas de Tráfico de Pessoas nota que é muito difícil detetar e responsabilizar as redes que estão por trás deste género de crime organizado e que são poucas as condenações em tribunal, e acrescenta que “a exploração laboral é mesmo o rosto mais visível do tráfico humano em Portugal”.

O tráfico de mulheres para efeitos de exploração sexual é outra face do tráfico humano em Portugal, ainda que a uma escala menor. “Elas vêm na ilusão de conseguir trabalho, um trabalho bem remunerado e depois são postas na prostituição”, acrescenta Maria Manuel.

A Comissão de Apoio às Vítimas de Tráfico de Pessoas, ligada à Igreja Católica, foi criada há 10 anos pela Conferência dos Institutos Religiosos em Portugal, de modo a envolver mais as estruturas católicas na missão de “denunciar, formar e sensibilizar” as pessoas para a necessidade de acabar com o tráfico humano.

Também o Papa Francisco associou-se no Vaticano à jornada de oração e reflexão contra o tráfico de pessoas, que a Igreja Católica celebra anualmente a 8 de fevereiro, recordando em especial as crianças e adolescentes vítimas deste crime.

“Que todos quantos têm responsabilidade de governo combatam com decisão esta praga, dando voz aos nossos irmãos mais pequenos, humilhados na sua dignidade. É preciso fazer todos os esforços para debelar este crime vergonhoso e intolerável”, disse o Papa, na audiência pública semanal. (Fonte: Ecclesia)

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Marcelo de Andrade
Marcelo de Andrade
Marcelo de Andrade é Editor do Diário 560

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