Experiências de moedas sociais partilhadas na Espanha

Teve lugar em Puerto Real, na cidade espanhola de Cádiz, no início deste mês, uma conferência sobre moedas sociais, subordinado ao tema “para o emprego sustentável e uma Economia Local e das pessoas”.

Logo na abertura, falou Julio Gisbert, um banqueiro que acompanha iniciativas de ajuda mútua, especialista em moedas sociais e autor do livro “Viver sem Emprego” (ainda sem edição em português) falou sobre as iniciativas de inovação social e de emprego, acompanhadas pelo website “Vivir sin Empleo”.

(Foto: El Salmon Contracorriente/Decoop)

Diversas entidades puderam partilhar as suas experiências de moeda social, como a ONG Assembleia de Cooperação para a Paz, de Sevilha, com a moeda “ossetana”, na localidade de San Juan de Aznalfarache, pioneira em viabilizar as assistências sociais concedidas pelo município.

Segundo José Ruibérriz, um dos promotores, em declarações ao El Salmón e citado pelo Decoop Chile, nos dois anos desta iniciativa, não só verificou-se uma otimização do processo burocrático dos benefícios sociais, mas a ossetana, ao circular entre os parceiros comerciais locais associados, tem sido um importante suporte para a sustentabilidade da economia e até mesmo a geração de novos empregos.

Da cidade de Santa Coloma de Gramenet, em Barcelona, vem a jovem moeda social “la grama”, impulsionada pela câmara municipal. Desta experiência falaram Andreu Honzawa e Jaume Catarinau, membros de Ubiquat, empresa dedicada ao desenvolvimento de moedas complementares. Como a “ossetana”, esta moeda social tem suporte em euros e visa apoiar o comércio local, ao canalizar parte das despesa autárquica com subsídios e salários dos funcionários públicos.

Para encerrar o painel, foi apresentada a plataforma informática Clickoin, que dá suporte a moedas como a “ossetana” e a “puma”, para a gestão de registos municipais, como decorre na cidade de Arona, em Tenerife, e a moeda “semilla”, voltada para o crédito mútuo. A plataforma faz uma forte aposta no software livre, para medidas redistributivas e de economia colaborativa.

Diversas cidade espanholas, como San Sebastian e Barcelona, têm vindo a buscar acordos com entidades da banca ética. Já a autarquia de Cádiz impulsiona desde o início deste ano 100% de tuda a energia consumida de origem renovável e certificada.

O público pode expor suas dúvidas durante as dinâmicas dos grupos de trabalho, onde foi possível analisar as necessidades, objetivos e relações dos atores sociais, tais como instituições, comércio local, associações e público em geral.

Segundo as conclusões dos grupos de trabalho “a moeda social não é um fim, mas um instrumento, que deve cumprir algumas premissas básicas: garantir a inclusão e a participação, permitir uma maior transparência nas administrações, reeducar valores, promovendo o consumo responsável”. (Fonte: El Salmón/Decoop Chile)

 

Sobre o autor

Marcelo de Andrade
Marcelo de Andrade
Marcelo de Andrade é Editor do Diário 560

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